Semana passada encontrei uma barata entre meus textos. Ia matá-la com uma combinação de frases curtas, quando lembrei do Samsa — aquela barata do Kafka que não era barata, era escritor. E se não fosse uma barata?
Não matei. Decidi ficar olhando; ela também. Imóvel. Dois segundos, duas antenas. Uma vida.
A primeira barata a vagar entre as histórias que escrevo ciscava nos meus enredos, buscava alimento nas entrelinhas que sussurro e no espanto do que me espanta. Devorando vírgulas. Conformada ao nosso tempo, vestida para durar mil anos.
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