Artigo, Kika Gama Lobo, Veja - O peso de viver muito. Já fez o seu dever ?

Vivemos fascinados pela ideia de chegar aos 90, aos 100, aos 110. Celebramos a nova régua do tempo como quem descobre uma terra prometida. Nas redes sociais, envelhecer virou quase um privilégio estético: cabelos brancos charmosos, corpos sarados, viagens, vinhos, sexo, pilates, skincare, trilhas, empreendedorismo depois dos 60 e aquela frase perigosíssima: a idade está apenas na cabeça. 

Não. A idade também está na conta bancária. No plano de saúde. Na solidão de uma terça-feira à noite. Na memória que falha. Na filha que mora em outro país. No filho que trabalha 12 horas por dia e não consegue cuidar de ninguém. No cuidador que custa uma fortuna. No aluguel que sobe. No remédio que não cabe no orçamento.

Precisamos falar do peso de viver muito.

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4 comentários:

  1. Ficar velho é uma merda!

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  2. Excelente abordagem, realista e sem rodeio. A velhice é uma máquina de consumo, medicina, remédios, cuidadores e poucos conseguem custear. Um lar geriatrico razoável arranca em 10 mil. Acabou-se o envelhecer em casa com a família.

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  3. Velhice só é boa pro dono da farmácia.

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