No restaurante do Aquiles, Hugo era o cozinheiro.
Calado, discreto, paciencioso, estrábico, dono de uma voz de timbre metálico e sotaque italiano de vogais fortes, eram raras as suas aparições fora da minúscula e quente cozinha do centro acadêmico – uma relação para iniciados.
Certo início de ano letivo, num desses dias de fila-com-fome, por algum imprevisto, Hugo acabou no balcão, atendendo sozinho.
Atento, mãos apoiadas no balcão e com o olhar fixo no que parecia ser o brinco da estudante — um convite mudo ao pedido:
— Oi, é minha primeira vez por aqui.
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