Se os eficientíssimos serviços de repressão cubanos, que
há anos espionam Yoani Sánchez dia e noite, tivessem descoberto a menor prova
de suborno, a “agente milionária da CIA” já estaria presa. É sintomático que,
para eles, alguém só discorde do governo se levar dinheiro. Freud diria que
estão falando deles mesmos. Antigamente eles queriam ser mais realistas que o rei,
hoje tentam ser mais tirânicos que os tiranos, como mostraram os protestos
contra Yoani em Recife, Salvador e Feira de Santana, não só com gritos e
faixas, mas esfregando dólares falsos no seu rosto e puxando os seus cabelos.
Mas Yoani até gostou dos protestos, como um sopro de
democracia para quem vive numa ditadura sufocante, e se divertiu ouvindo velhas
palavras de ordem “que nem em Cuba se ouvem mais”. O resultado foi uma
repercussão muito maior — maciçamente a favor da blogueira — do que teria a sua
viagem ao Brasil.
. No sertão baiano, uma milícia de talibãs tropicais
impediu a exibição do filme “Conexão Cuba-Honduras”, porque não queriam discutir
nada, mas calar o opositor no grito. Quando conseguiu falar, Yoani disse que
vive numa sociedade “onde opinião é traição” e eles vaiaram.
Mas deveriam aplaudir, porque no Brasil que eles sonham
também será assim. A maior fragilidade da democracia é poder ser usada
livremente pelos que querem destruí-la, a começar pela liberdade de expressão.
. Yoani escreve, descreve e analisa muito bem o cotidiano
de Cuba, mas suas críticas não são violentas, debochadas ou incendiárias.
Muitas vezes são crônicas sobre as dificuldades para comprar um ovo, o elevador
quebrado há oito anos, a escassez de quase tudo, os roubos e malandragens
sistêmicos, a internet lenta e censurada, os privilégios da elite. Como quase todos num país ainda na idade do byte lascado,
Yoani não tem conexão em casa. É obrigada a postar em hotéis a preços absurdos
porque as poucas lan houses são só para estrangeiros e seu blog não pode ser
acessado na ilha.
Agora Yoani quer usar o dinheiro dos seus prêmios
culturais ganhos no exterior para fundar um jornal independente. Ley de Medios
em Cuba já!
Eu já tinha lido este artigo e pinçado, para os meus guardados, a brilhante frase:
ResponderExcluir- A maior fragilidade da democracia é poder ser usada livremente pelos que querem destruí-la, a começar pela liberdade de expressão.
Yoana narra no seu blog a vivência do dia-a-dia dela e do povo cubano em geral,representando, digamos assim, o pensamento médio da pessoa comum q lá vive. Baseia o seu discurso num ponto central, qual seja: a falta de liberdade. Parece q dessa forma, simples e objetiva, consegue abalar mais o regime do que dissidentes bem mais exaltados e grandiloquentes.
ResponderExcluirOu seja, sem conteúdo ofensivo e palavras de ordem está conseguindo se fazer ouvir pelo resto do mundo, dai sua importância.
O que me espanta é que existem muitos idiotas, inclusive membros do governo brasileiro, que adoram Cuba e a tirania dos irmão Castro.
ResponderExcluirSinceramente não consigo entender !
E contra a corrupção? Nada de protestos desta "gente"...
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