Alexandrino Alencar diz que Onyx concordou em receber por caixa 2. Onyx reage forte: "Não devo e não temo"

Ao lado,com Janot durante a votação das "10 Medidas Anticorrupção".

Quando o seu nome apareceu na lista dos investigados na terça-feira, Onyx divulgou um vídeo na sua página do Facebook no qual diz que nunca pediu dinheiro para a Odebrecht e que "continua limpo".

— Sei dos meus procedimentos, nunca estive na sede da Odebrecht, nunca pedi dinheiro para a Odebrecht e por esta razão, com absoluta tranquilidade, mas com a indignação daqueles que querem a investigação rápida para poder provar que nada tenho a ver com isso, eu venho, nesse momento, dizer a cada um de vocês: podem continuar confiando, eu estive 24 anos limpo, continuo limpo e vou continuar limpo. Não devo e não temo — afirmou o deputado.

Relator do pacote anticorrupção proposto pelo Ministério Público Federal no ano passado, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) concordou desde o início em receber recursos por caixa dois, de acordo com o relato do ex-diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar em sua delação premiada. Segundo o relato, houve o pagamento de R$ 175 mil no ano de 2006 e o codinome usado foi "inimigo".

— O senhor Onyx Lorenzoni sabia que ia receber via caixa dois? — questionou o procurador.
— Sim, soube — respondeu Alexandrino.
— Isso foi dito já nessa conversa inicial? — perguntou o investigador.
— Já foi dito nessa conversa inicial — disse o ex-executivo.
— Ele anuiu com isso? — questionou o procurador.
— Sim, Anuiu. Normal, anuiu. Não houve nenhuma rejeição, nenhum se não disso aí — afirmou Alexandrino.

O ex-diretor diz que fazia um trabalho de observar políticos que poderiam ter um futuro promissor e investir nas campanhas deles desde o início para criar uma relação com a empresa. Foi assim que chegou a Onyx, que se destacava no Rio Grande do Sul. Alexandrino diz que ele procurou Onyx em 2006 durante a campanha para oferecer os recursos.