Doleiros gaúchos fazem delação confusa. Um deles, Tonico, diz que Angorá é Moreira Franco.

Afinal, Angorá é Padilha ou Moreira Franco ? Nem os delatores se entendem. 

O doleiro porto-alegrense Antônio Albernaz Cordeiro, o Tonico, preso em março de 2016 na Operação Xepa, 26ª fase da Lava-Jato, e mais outros dois doleiros cujas identidades a Polícia Federal não revelou ainda, delataram políticos do PMDB para o qual deram dinheiro de propina. Tonico disse ter recebido em 18 de agosto de 2014 a missão da secretária Maria Lúcia Guimarães Tavares, lotada no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, responsável pelos pagamentos de propina da empreiteira. A mensagem determinava que ele entregasse o dinheiro a uma pessoa que se apresentaria como "Angorá".

"Angorá" é um dos codinomes pelos quais a empreiteira tratava o ministro Moreira Franco, mas azos investigadores, o doleiro disse apenas que se tratava de um "senhor alto e totalmente grisalho, que se identificou pela senha Angorá". 

Até agora, imaginava-se que Angorá seria Eliseu Padilha. 

A descrição corresponde ao perfil de Moreira Franco, mas o ministro não tem nada a ver com o RS.

As delações dos doleiros são bem confusas e não esclarecem muita coisa.

O doleiro citou pelo menos 22 operações feitas para a Odebrecht, em valores que nunca haviam superado R$ 100 mil por vez. Tonico descontava 3% de comissão para internalizar os recursos no Brasil.

O advogado confirma ao jornal  Zero Hora que as ordens para os pagamentos partiam dos diretores Fernando Migliaccio e Hilberto Mascarenhas, que também atuavam no Setor de Operações Estruturadas. Hilberto foi preso pela PF no mesmo dia em que Tonico. Migliaccio seria preso dias depois.