Opinião do editor - O RS é maior do que esta crise atual e pode mais do que apresenta

O Sindicato Médico do RS colocou, hoje, o dedo na ferida, ao veicular nota paga nos jornais e anunciar o que todo mundo percebe no Estado:

- O crime está no controle. Os criminosos tomam o controle literalmente dos serviços públicos. A saúde passa por desmanche. 

O editor disponibiliza diariamente notícias alarmantes sobre assaltos, roubos, furtos, assassinatos, decapitações e sequestros, tudo em crescimento descontrolado porque a polícia sumiu das ruas das cidades, com ênfase para Porto Alegre. A alegação de que os policiais recebem salários de modo parcelado, como justificativa para este sumiço, é inaceitável, já que os cidadãos pagam em dia seus impostos, cuja arrecadação cresce mesmo diante de severa recessão, como provou nota exclusiva divulgada ontem neste espaço.

O que acontece é que o governo Sartori recebeu pavorosa herança maldita de Tarso Genro, mas ainda assim não se atreveu a cortar pra valer nas despesas, reduzir quadros funcionais pela melhoria da gestão, consentindo, por exemplo, em contratar pessoal e honrar aumentos salariais que não pode honrar em dia, como não paga os dos atuais servidores do Executivo.  É apenas um exemplo. Há mais.

Sartori também precisa abrir mais o caso das contas públicas e desistir de fazer o jogo de que apesar da pavorosa crise, é capaz de manter a normalidade das ações da gestão estadual, quando na verdade elas exigem intervenções absolutamente extraordinárias, profundas, duras, imediatas. Mais interesses corporativos, patrimonialistas, demagógicos e populistas, patrocinados pela vanguarda do atraso que infelicitou o Rio Grande, precisam ser denunciadas e confrontados diante da pavorosa realidade de cada dia, porque viver e trabalhar desta maneira no RS não vale a pena e o melhor a fazer é partir para soluções próprias ou ir embora.

Tudo parece fora de controle e não apenas os salários de milhares de servidores estaduais.

O Rio Grande é maior do que esta crise, como já mostraram recentemente os governos Britto e Yeda Crusius, que se negaram a conviver com a mediocridade. E pode mais.

O que disse o presidente do Simers sobre as insuficientes medidas do governador Sartori na área da segurança - na verdade, nulas - valem para toda a administração pública estadual.